Estética II
O século XX tem um histórico rico de textos sobre o relevo da estética. Neste século a estética proporcionou muito mais que teoria filosófica do belo e do bom gosto. Podemos dividir a estética em quatro campos; vida, forma, conhecimento e ação. As duas primeiras constituem substancialmente um desenvolvimento da Crítica do Juízo de Kant e os dois últimos campos o desenvolvimento da Estética de Hegel. Em blog anterior vimos a coerência e simplicidade do desenvolvimento estético dos séc XVIII e séc XIX. A estética da vida adquire um valor político A estética da forma um valor mediático A estética cognitiva um valor céptico A estética pragmática um valor comunicativo A estética encontra ocultamente presente e ativa na biopolítica, na “mass-mediologia”, no anarquismo crítico e na teoria da comunicação. Excluindo deste esquema a área de estética que busca o nome, o sentir, o âmbito da sensibilidade, do afeto, da emoção.  Arte Egípcia Romana Grega Entre a arte egípcia que propiciou grande relevo ao contorno, linha e a continuidade da superfície, os romanos valorizaram a luz dando autonomia das figuras, um efeito ótico criando impresso de profundidade. Os gregos relacionavam com o pré-clássico e pós-clássico, vontade artística táctil e ótica. Assim a arte ocidental permeia no inorgânico táctil e o ilusionismo óptico.
 O inorgânico táctil refere-se ao transcendental, no período Gótico conduz uma experiência da forma que dissolve a noção de forma entendida como uma configuração dotada de uma identidade precisa. Um estranhamento que os fundadores da estética da forma, Wolfflin, Riegl, Worringer sublinham no caráter da exterioridade. Sem simetrias como na arte clássica. A repetição infinita mostra e nos faz sentir inundados na imensidão. Eis o efeito óptico, experiência estética do Op Art. A estética cognitiva tem efeito afetivo, emocional, saem das raízes kantianas. Schleiermarcher faz reentrar esta estética do conhecimento, destacando o trabalho singular de Hegel a arte, da religião à filosofia, um momento do espírito absoluto e constitui assim uma das mais altas manifestações históricas da verdade. O desenvolvimento da psicologia, antropologia e da semiótica parecem retirar da filosofia a estética em particular largos campos do conhecimento. Diferente de Hegel, Croce afirma energicamente a independência da arte relativamente à filosofia, a arte pode passar sem a filosofia, mas não reciprocamente, o que significa que o conceito não pode estar sem a expressão. Esta importância se manifesta no feio, se o belo se identifica com a expressão, não existe expressão que contenha um grau de beleza. Assim tanto o criador como o consumidor participam da mesma intuição lírica. A estética como conhecimento crítico, é uma versão céptica do neo-hegelianismo, representada pelo filósofo alemão Theodor W. Adorno (1903-1969). Segundo Adorno, o pensamento de Hegel representou importante tentativa para compreensão do heterogêneo, o diferente, o negativo. Com comentários sarcásticos sobre a estética hedonística e vitalista, que colocam em primeiro plano o prazer e o gosto. No heterogêneo há aceitação no próprio interior com o seu contrário, como contínuo desmentido dos caracteres que a reflexão estética lhe atribui. A ação estética como sedução, dedicaram os filósofos japonês Shuzo Kuki (1888-1941) e o francês Jean Baudrillard (1929). A obra de Kuki, Iki no kozo é muito estranha a hipoteca moralista de Tolstoi, que pesa na estética da ação do século XX.  Esta obra ambienta na cultura japonesa onde as cultas gueixas envolvem com linguagem sexual entre os homens e tem a opção de se entregar ou não sexualmente. O aspecto iki pressupõe uma dualidade. A relação de sedução aproxima os sexos, mas tal movimento não conduz a uma total abolição da diferença, uma completa paz, como acontece no amor. Se houver a recusa da gueixa ocorre uma tensão, a permanência da luta está implícita no erotismo. Uma condição desta ação estética entre a paz e a guerra onde não há vencedores nem perdedores. Um segundo iki, tem origem no budismo, a renúncia, a atitude de desprezo uma despreocupação ante a instabilidade e a inconsistência do mundo. Um olhar superior relativamente às paixões subjetivas. O iki caminha entre suavidade e aspereza, reúne relativa suavidade na coqueteria e a relativa aspereza da consciência crítica. Referências PERNIOLA, Mario. A estética do século XX. Estampa. Lisboa, 1998. ROSENBERG, Harold. Objeto Ansioso. Cosac Naify. São Paulo, 2004. Imagens : net
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Escrito por Erika Lee às 15h13
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