Kitsch
O estilo kitsch é exagerar na dose, usar objetos falsos (réplicas), ter significados sentimentais nos objetos. O termo Kitsch tem origem alemã e denominava a burguesia em ascenção na década de 20, uma crítica ao consumismo crescente. 
“Uma tradução possível para kitsch seria ‘colocar mais móveis que o ambiente comporta’. Era um termo pejorativo utilizado para criticar a burguesia em ascensão, preocupada em consumir demais para se igualar às classes altas”, explica o antropólogo e arquiteto Lauro Cavalcanti, um dos autores de Arquitetura Kitsch Suburbana e Rural, livro que acaba de ser relançado pela editora Paz e Terra.
Não por acaso, uma das características do kitsch é a mistura exagerada de vários estilos. A deputada Isaura Lemos transmite uma imagem clássica e discreta. Mas confessa que, na decoração de casa, adora misturar objetos inusitados. “Tenho vasos da China, xadrez nordestino, estátuas de Lampião e Maria Bonita, cerâmicas... Minha cozinha tem relógio, porta-papel, temperos e pano-de-prato com estampa de vaquinha. Tudo isso dá uma ar irreverente à casa”, diverte-se Isaura.
 Deputada Isaura Lemos Imagens kitsch Contemporâneo ou cafona? – Por sua origem, a palavra kitsch acabou fortemente associada ao cafona. Mas hoje é possível estabelecer algumas diferenças entre ambos. “Para ser um legítimo kitsch, é preciso ter um engajamento cultural, acompanhado de propósito”, explica a designer de moda Lorena Abdala. Em outras palavras, a pessoa kitsch expressa por meio da aparência uma ideologia de vida. Ela faz paródias – quase sempre debochadas – das imagens do cotidiano.
Pinguin de geladeira, anão de jardim... “Na época em que fiz a pesquisa para meu livro Arquitetura Kitsch, criei duas categorias de kitsch”, explica Lauro Cavalcanti. “Tem o kitsch passivo, que representa a burguesia tentando entrar na moda e consumindo tudo que encontra pela frente, e o kitsch criativo, que constrói signos por meio de símbolos.” O arquiteto cita como referência em seu livro a Casa do Mágico, famosa no Rio de Janeiro. “A casa é extravagante, possui cores berrantes e fosforescentes. Ela chama a atenção porque tem aquela coisa do morador expressar sua visão de mundo”, conta.
 Figurino anos 70 do filme "Cassino" Marilyn Monroe por A. Warhol Lorena Abdala lembra que na coleção outono/inverno 2006 das grandes marcas brasileiras, os estilistas tentaram criar – ainda que timidamente – uma produção mais kitsch, com estampas chamativas e mistura de acessórios atuais com retrô. Mas ela não acredita que esta tendência chegue ao Estado. “Os goianos não costumam se arriscar com o kitsch na hora de vestir”, prevê. Para a designer de moda, é preciso muita personalidade para adotá-lo. Além disso, ressalta, deve haver um desejo claro de transmitir uma mensagem. Por isso ela elege o cantor Falcão como o famoso mais kitsch do Brasil. “O Falcão é kitsch, não brega. Porque toda escolha que ele faz – ao se vestir, ao escrever letras de músicas – é intencional”, explica. Cantor "Falcão"
A artista plástica Patrícia Mesquita tem uma visão parecida. “O kitsch é uma releitura, enquanto o cafona é simplesmente estar fora de moda.” O estilo kitsch é sua marca registrada e está no jeito de vestir, na decoração de casa e até mesmo na arte que produz. “Sou muito contemporânea. Gosto de resgatar épocas e criar novas linguagens. Adoro tudo que é glamouroso, divertido e falsificado. Uso anéis de plástico, plataforma com glitter, colar roxo com amarelo...”, enumera. A artista é famosa por trabalhar com materiais como vinil, luz negra, plástico e pelúcia. “Já fiz trabalhos com esculturas enormes de pelúcia e quadros com esmalte sintético fosforescente”, lembra.
O Kitsch veio contra a Arte Pop de Andy Warhol, mas é um filho tardio. Ele está nascendo agora e não é como manifestação artística. Enquanto Warhol e a Arte Pop buscavam arte nas coisas cotidianas, o Kitsch é o contrário. É torná-lo único. O Brega é Kitsch, porém nem todo Brega seja Kitsch... O Brega geralmente relaciona à moda passada, exageros da década de 80, músicas sertanejas, etc.
REFERÊNCIAS Cavalcanti, Lauro & Guimaraens, Dinah. Arquitetura Kitsch. Editora: Paz e Terra. Rio de Janeiro. 2006.
Letry, Erika. http://www.achanoticias.com.br/noticia.kmf?noticia=5808071 Imagens: net Respeite os direitos autorais de Erika Lee.
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Escrito por Erika Lee às 11h20
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