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Febre de Consumo

 by Erika Lee

             Jean Baudrillard foi um dos primeiros a prever a espinha dorsal da sociedade de consumo.

Conceitualizando a moda e o processo de consumo na lógica social e não a manipulação de consciências para derrubar o dogmatismo marxista atribuindo uma nobreza teórica.

Além do sujeito consumir pela necessidade ou pseudo-necessidades, o consumo repousa sobre uma lógica de distinção social.

 

                        

                         Desfile de Glória Coelho em junho de 2009. No SPFW verão 2010.

 

                  O consumo vem num valor de troca signo. Embute valores na hierarquia social, prestígio, assim a produção efervescente de produtos que enfatizam a diferença em seu meio. A ideologia hedonista corre atrás de novidades, corrida na motivação do prazer, que operam em ímpetos de uma competição estatuária.

Nesta problemática não é a utilidade que motiva os consumidores, mas sim a posição, conformidade, o status social. É demais preciso confirmar esta lógica do objeto signo que impulsiona a renovação veloz mediante sua reestruturação sob a égide da moda.

 

                                       Desfile de Isabela Capeto. junho de 2009. SPFW verão 2010.

 

 

        O efêmero encontra uma concorrência simbólica das classes. O novo da moda é um signo distintivo, um luxo de herdeiros, ela coloca cada um em seu lugar. Uma desigualdade cultural e discriminação social. A moda ainda contribui na inércia social pela renovação contínua de seus carros e acessórios de luxo permitindo ausência de mobilidade social real e um decepcionado progresso social e cultural. Participa da mitologia moderna maquiando uma igualdade que não pode ser realizada. Cegueira à verdadeira função histórica do novo tipo de regulação social baseando na inconstância, na sedução e multi-escolhas. O que se busca nestes produtos, é menos legitimidade e uma diferença social do que uma satisfação individual cada vez mais indiferente aos julgamentos do outro.

 

                             Maserati Spider

 

         Na crise os produtos de luxo não sofreram, são sempre procurados e valorizados, revelam a persistência do código de status pelo meio indireto de certos produtos.

        O interesse corporativo, a aspiração do bem-estar, a segurança e a proteção estatal  não tem em toda parte o mesmo peso, não seguram em toda parte da mesma maneira a dinâmica da mudança. A forma moda orienta as sociedades contemporâneas na boa direção histórica, porém na prática, emperra certas nações no imobilismo dos interesses privados e das vantagens adquiridas desencadeando um atraso carregado na construção do futuro. O poder público deveria preparar o futuro considerando as aspirações do presente, aliás necessárias, a longo prazo, ao crescimento de nossas sociedades. Uma busca ao equilíbrio social entre as necessidades do futuro e as reivindicações do presente.

 

REFERÊNCIAS 

BAUDRILLARD, J. Sistemas dos objetos. Editora Perspectiva. São Paulo. 2000.

BAUDRILLARD, J. A sociedade de consumo. Edições 70. São Paulo. 2000.

DEBORD, G. A sociedade do espetáculo. Editora Contraponto. São Paulo. 1997.

 

Imagens: http://www.spfw.com.br/desfiles.php

 

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Escrito por Erika Lee às 16h07
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