Moral, Moda e Roupa
AS RESPOSTAS DA MORAL A criação dos padrões de conduta é cumprida e seguida segundo os ideais. O discurso do moralista permite estar na posição de quem tem as respostas junto à maioria. Mensagem de constante combate as vascilações e renunciando o ser desejante. A razão moralista espalha o mito da bondade como forma de introduzir ideais. Enquanto inclui limitações e desigualdades quanto a dever a cumprir, sua combatividade adquire legitimidade. Ele esclarece numa dupla implicação, a dívida e a exaltação. Impasses e limitações que trazem “conseqüências”. RETORNO DA SERPENTE Adão e Eva. A serpente que enganou Eva e depois enganou Adão. Houve desejo, em que um terceiro alimentou o proibido, caindo em consciência pelo erro em temer à Deus. Há sempre uma serpente acossando um desejo. Incluir o sujeito do desejo implica em ética e não em moral. Regular o desejo é dividir e autenticar a limitação. Havendo o desejo, considera-se a presença de não realizado, que fica insistindo em se realizar, o inconsciente. O humor manifesta perante esta incompletude do semelhante. Nem na religião e nem no marxismo e nem Freud conseguiram digerir a situação. A ideologia não é um lugar onde o sujeito se encontra, mas podemos entender que tanto a moral como a ideologia se entrelaçam, superpõem entre si. “A noção da disposição do bem é essencial, e se colocamos no primeiro plano vem à luz tudo o que significa a reivindicação do homem que conseguiu, num certo momento de sua história, dispor de si mesmo. Pois, é claro que essa função do bem engendra uma dialética. Quero dizer que o poder de privar os outros de seus bens, eis um laço fortíssimo de onde vai surgir o outro como tal. É um fato de experiência do qual é preciso que vocês se lembrem constantemente na análise o que se chama defender seus bens é apenas uma única e mesma coisa que proibir a si mesmo de gozar deles. A dimensão do bem levanta uma muralha poderosa na via de nosso desejo. É mesmo a primeira com a qual lidamos em cada instante e sempre” J. Lacan A ideologia fixa uma idéia única no pensamento, se apresenta como solução para tudo. E a moral ecoa a questão do desejo, enquanto resiste a ele. O primeiro é convicto e o segundo um chato. Por isso a formação da consciência e proibição partindo deles. Limitação para manter a ordem social. O tempo no marxismo torna em pensamento de produção econômica. Os objetos produzidos pelas indústrias devem ser consumidas, desejadas. Nasceu as grandes maisons, grifes e etiquetas. Na corrida da produção da moda, consideramos o estilo “Que é tanto o de sua expulsão do paraíso, quanto o de se aventurar pela primeira vez no espelho, vestido pela imagem do semelhante. Vestido por roupagem simbólica e vestido com imagem do semelhante. E é por ser vestido com imagem que sua roupa se constituirá como uma forma de se atualizar, no nível do imaginário, sua posição com o semelhante.” Mauro Mendes Dias, 1997.  Desfile de Dior, julho de 2008. Paris. AGRESSIVIDADE, O CHATO E O CONVICTO A agressividade traz uma relação de alienação à imagem do outro. A cada menção do eu, a sombra da presença do semelhante. Vaidade, narcisismo, aparências são banidos do projeto unitário. Porque na verdade a razão inabalável não suporta a presença de relação tensionante com o semelhante. Justamente esta presença do semelhante que implica a questão do desejo. Desta maneira a moral e a ideologia superpõem na razão unívoca com bases sólidas na crença do amanhã. Repare no discurso do moralista, ele quer o bem do sujeito, para ter prazer, bem cultivado, que se tece suas ações. Para bem gozar futuramente, exige-se sacrifícios hoje. É com a moral que as crenças se mantém. Embora Marx e Freud se recusam a aceitar um princípio unívoco. Deslocam em duas causas, histórico e inconsciente. Permite declinar a razão da unidade e alinhar a pesquisa numa racionalidade científica. TEMPOS E POSIÇÕES  Tempo é a exaltação do hoje para haver o amanhã. Pregação das condutas. Um combatente encarregado de recusar a moda e a psicanálise. Os dois acossam o desejo. A entrada do sujeito do desejo revelou-se através de uma análise das posições em curso sobre a moda e a roupa, desde onde ficam reservadas a compartilhar, tão somente, função de domínio e de prestígio. A moral é um fato inerente do sujeito do desejo, uma reflexão sobre o eu humano. Na medida em que a função simbólica permite abordar o inconsciente e ética do desejo para além dos limites de um discurso programado das ações, se ganha mais uma importância na moda e roupa. O que nos permite através da análise da moda e roupa em desnodular diferentes níveis de complexidade do valor afetivo da roupa, questão do corpo, da sexualidade, da morte. Semana que vem, aguardem... REFERÊNCIAS CALLADO, A. “Estilistas tecem moral e filosofia”. Caderno Ilustrada. Jornal Folha de S. Paulo. Pág. 4-6. Edição de 23 de outubro de 1993. São Paulo. DIAS, M. M. Moda Divina Decadência. Editora Hacker. São Paulo. 1997. LACAN, J. Aética da Psicanálise. Seminário VII. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. Imagens: net PATROCÍNIO 

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Escrito por Erika Lee às 17h19
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