entre vestir e sentir


Ethos moda?

 

Moda Ethos já ouviu falar? Bem, na moda acadêmica é a moda mundial simultânea que o sistema contemporâneo abraça. Culto aos objetos prazerosos bem como o bem estar cotidiano. Hoje já não se fala do individuo-moda, mas o sujeito-moda, qual a diferença? Na atual fruição dos objetos o sujeito desencaixa toda sua subjetividade que o cerca, acometido entre a ruptura do novo que surge e morre e a simultânea permanência da erudição da moda contemporânea no qual os estilistas exprimem em suas proposições construindo sua marca e nome, através de acontecimentos performáticos repletos de erudição na imagem cristalizante. Eis a moda fruição...cada vez mais estudada e empregada na construção (arte/instalação/performance) de marcas de luxo.

  Mcqueen, quando? Ficou ou não ficou na memória? (1999)

  Ronaldo Fraga, 2008

 

O primeiro estilista a atuar na moda-acontemcimento: Issey Miyake já estudante incentivou a costura do possível. Esta coleção é "Uma peça de Roupa", 1999.

 E outros: como belgas e japoneses que desconstroem a vestimenta, o tecido, o papel apropriando da força artística na construção de sua marca.

REFERENCIAS:

 

SANT’ANNA, Mara Rúbia. Teoria de Moda: sociedade, imagem e consumo.  2ª Edição. Barueri-SP: Estação das Letras e Cores, 2009.

 

VILLAÇA, Nízia. A edição do corpo. Tecnociência, artes e moda. 2ª edição. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2011.

 

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Escrito por erikaylee às 12h28
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Instinto e Instituições

 Desfile de moda

 

 Tem um texto do filosofo Gilles Deleuze que fala do instinto e da problemática das instituições; Creio eu que posso pensar no mundo dos bichos, como as necessidades das pulgas, aranhas. O ser humano requer um sistema organizado para satisfazer tais necessidades. O Estado, a Escola, a Igreja, o sistema de Moda, não seriam estas instituições?

Temos as leis que limitam estas ações num ato negativo de ação social e a democracia com infinitas instituições que emitem ações positivas. O pai tirano, governante não abre espaço para a proliferação desta positividade.

 

A Tendência se satisfaz na Instituição: Paradoxo social?

 

[...] falamos de instituições, quando nos achamos diante dos processos de satisfação que não desencadeiam nem determinam a tendência ao satisfazer-se – tampouco quanto os explicam as características da espécie. [Deleuze, 1955]

 

Sofisticada Gastronomia...

 

Ok, a tendência se satisfaz por meios que não dependem dela, quando não satisfeita ela retorna, como na neurose freudiana; ela se transforma, ou pode ser sublimada, substituída indiretamente de maneira obliqua.

 

Para uma instituição questionamos a quem a instituição seria útil? A todos necessitados? Ou a classe privilegiada? Aqueles que trabalham na instituição? Isso problematiza tudo, todo sistema de produção, consumo, industrial, tecnológico...

 

Essa tal tendência é satisfeita indiretamente pela instituição. E o instinto? Quanto mais “certinho” e “bonitinho” em seu domínio mais ele está próximo a espécie animal. Quanto mais aberto, flexível e aperfeiçoável, mais ele permite a inteligência funcionar.

Qual é o sentido da sociedade sobre as tendências neste sistema de antecipação?

É o problema da instituição, do social, do homem não instintivo, pois ele faz instituições, ele fala em nome da espécie traduzindo pela necessidade do animal, e as necessidades exigentes do homem integram-se nas instituições.

                                      Brilhantes Tiffany...aiai..básico né minha gente?

 

 

Do que precisa o animal para sobreviver? Deleuze deu exemplo do carrapato que fica a espreita de um galho e pode permanecer lá por dias, meses até um herbívoro passar por baixo e assim se deixar cair para penetrar em sua pele...um sonho de vida? e ele responde que não, É isso que faz o mundo.

 

REFERENCIAS

 

http://cooperacionsinmando.wordpress.com/2008/04/25/instintos-instituicoes/

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Escrito por erikaylee às 11h14
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"Aquela" Imagem-cristal...

 

 

Hoje falaremos daquela imagem-lembrança, pensada como presente último que surge como diferente do presente que inicia o circuito, libera um sentido do tempo muito mais vasto do que a cronologia. Trata-se daquele momento, instante que marcou em sua memória; Um filme, comercial, desfile, ou aquela imagem deslumbrante que ficou registrado em sua memória. Ver o presente que inicia o circuito e o presente ao qual se chega que permite que haja diferença. Porém, o fluxo que ainda mantém as coordenadas passado-presente-futuro é justamente a brecha por onde o esquema sensório-motor retomará seu curso temporariamente interrompido. Por isso há ainda uma ruptura da espacialidade do tempo.

 

 

                             

 

O a posteriori da psicanálise 

Quanto à psicanálise, Freud percebe rapidamente em sua clínica que não se pode explicar a complexidade de uma neurose por um determinismo sensório-motor, por exemplo, criando uma causalidade linear entre trauma e sintoma. É nesse ponto que ele inclui a fantasia na etiologia das neuroses. A fantasia, tal como Lacan a define a partir de Freud, é a maneira como o sujeito vai se ligar aos objetos, isto é, ao mundo, através da construção de uma resposta possível. Nesse sentido, a fantasia é algo que funda o sujeito, criando um certo enquadramento para sua maneira de lidar com o que se apresenta a ele. A função da fantasia é, segundo Lacan, “manifestar uma relação essencial do sujeito com o significante” (LACAN, 1958, p. 252). 

 

 

 

 

Fazendo uma relação com a teoria de Deleuze, podemos aproximar, grosso modo, a fantasia da imagem-lembrança. Esta última é justamente o aspecto de passado que há em cada imagem. Porém, como vimos, esse aspecto de passado se forma retroativamente, partindo de um presente para chegar a um “presente linha”, diferente do primeiro. Analogamente, a “construção de uma resposta possível” operada pela fantasia se dá por uma reconstrução inconsciente do passado que modifica o presente. A narrativa do sujeito em análise sobre sua própria história parte de sua queixa atual para construir um presente novo, em que haja espaço para a diferença.

 

               

 

 

Alguma coisa falta quando se busca corresponder o sintoma atual ao evento passado. Apesar de ser uma narrativa da realidade para o sujeito, a fantasia não corresponde ao sistema sensório-motor, uma vez que não é uma narrativa linear que separa o presente do passado e do futuro. A ideia da fantasia permite que os tempos se misturem, dado que ela se constrói a partir de um emaranhado de eventos, sensações, afetos e expectativas:

 O que lhe parece [a Freud] essencial são os avatares dessa fantasia, suas transformações, seus antecedentes, sua história, suas subjacências, aos quais a investigação analítica lhe dá acesso. A fantasia, de fato, passa por um certo número de estados sucessivos, durante os quais podemos constatar que alguma coisa se modifica e alguma coisa permanece constante.

 

Enfim, as lembranças não são um resgate de fatos que aconteceram em um passado finito, uma vez que são enquadradas pela fantasia. São, na verdade, construções no presente que elaboram o passado e vão ter função no futuro. Essa é a função do a posteriori na psicanálise.

 

                                            

 

 

O sintoma se nos apresenta inicialmente como um traço, que nunca será mais do que um traço, e que ficará sempre incompreendido até que a análise tenha ido suficientemente longe, e que tenhamos compreendido o seu sentido.O que vemos sob a volta do recalcado é o sinal apagado de algo que só terá o seu valor no futuro, pela sua realização simbólica, a sua integração na história do sujeito. Literalmente, nunca será mais do que uma coisa que, num dado momento de realização, terá sido (LACAN, 1954, p. 186).

 Nesse sentido de conexão entre passado, presente e futuro, a utilização por Freud do termo a posteriori mostra que o tempo da psicanálise não é o tempo cronológico dos flashbacks lineares criticados por Deleuze. Pode-se dizer que o passado não é resgatado a partir do presente, ele é construído no presente. E essa construção de um passado atualizado, por sua vez, modifica a própria atualidade.

Para além do a posteriori: cristal de tempo e ato analítico

 Se entre o presente e o passado não há relação simples de causa e efeito, nem uma sucessão fixa, pré-determinada, o passado não é necessariamente prévio ao presente; tampouco podemos dizer que ele lhe é posterior. Na ausência da causalidade, o circuito – uma vez que é aberto – pode começar de qualquer ponto. Se o flashback no cinema é um recurso que forma um circuito que vai do presente ao passado e volta ao presente, podemos dizer que esse circuito é formado de presente e passado correspondentes, isto é, “a própria imagem atual tem uma imagem virtual que a ela corresponde, como um duplo ou um reflexo” (DELEUZE, 1985, p. 87).  

Deleuze nos ensina que se procuramos o menor circuito, encontramos uma base estreita, uma ponta extrema em que presente e passado coexistem, quer dizer, há uma “coalescência” entre eles, como diz Deleuze. O famoso gráfico de Bergson em Matéria e Memória, reproduzido e comentado por Deleuze em Imagem-Tempo, nos ajuda a visualizar esse ponto de coalescência:

 

                          

 

Dado o cone acima, os circuitos entre o presente e o passado AB, A’B’ etc., mais ou menos amplos, remetem a um único ponto S. Porém, como podemos supor a partir do que foi dito acima, o ponto S – o atual presente – já compreende o passado deste presente. Por isso, S forma um pequeno circuito entre um presente e seu próprio passado. A coalescência entre o presente S e seu próprio passado, também incluído em S, constitui um ponto de indiscernibilidade entre o atual e o virtual, formando uma imagem bifacial. Essa imagem bifacial é formada por dois polos distintos, porém indiscerníveis; o que há, na verdade, é uma reversibilidade, no qual cada polo pode tomar o papel do outro reciprocamente.

 Assim se define a imagem-cristal segundo Deleuze: como o ponto de indiscernibilidade entre as imagens atual e virtual, o ponto S do cone de Bergson.

                               

A imagem-cristal é, então, pressuposta e base de qualquer uso que se faça do tempo, seja ele cronológico ou a posteriori. Ela é a imagem direta do tempo, que poderá se mostrar indiretamente sob a forma linear ou não linear, sendo a primeira ainda mais distante dela, pois engessa e naturaliza as cisões do tempo, como se já fossem dadas, e não formadas a cada instante.

 

É preciso frisar que na bifurcação do tempo a partir do cristal, o aspecto de passado não é “atualizável”, isto é, não é um passado que já foi presente, mas o passado do presente atual, que se mantém constantemente como virtualidade. Assim, o desdobramento do tempo vai implicar em duas tendências: de um lado, há o passado que se conserva e, de outro, o presente que passa. Tais são as grandes teses de Bergson sobre o tempo, assim apresentadas por Deleuze: a coexistência do passado com o presente; a conservação do passado em si, como passado não-cronológico; o desdobramento do tempo, a cada instante, em presente que passa e passado que se conserva. É clara a interdependência das duas tendências. Uma não pode existir sem a outra. A segunda, a dos presentes que passam, é aquela que se direciona ao futuro, à diferença. Contudo, não é possível que haja essa perspectiva de futuro livre, cheio de possibilidades, sem que haja alguma conservação do passado. O cristal de tempo é uma condensação de todas as virtualidades e atualidades possíveis de um instante. Daí sua importância para a mudança e diferença.

 

 

REFERÊNCIAS

 

 

BARROS Isabel Collier do Rego. No limite do tempo. Artigo do trabalho de conclusão do curso de Psicologia da PUC-RJ, 2009.

 

DELEUZE, G. (1985/2005) Cinema II: A imagem-tempo. São Paulo: Brasiliense.

 

HANNS, L. A. (1996) Dicionário Comentado do alemão de Freud. Rio de Janeiro: Imago.

 

LACAN, J. (1945/1998) “O tempo lógico e a asserção da certeza antecipada”, in Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.

 

_________. (1953-54/1979) O Seminário, livro 1: os escritos técnicos de Freud. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.

 

_________. (1957-58/1999) O Seminário, livro 5: as formações do inconsciente. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.

 

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Escrito por erikaylee às 11h36
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O único já foi, olhe para a multiplicidade, open your mind, baby

Você vai olhar, refletir diante destas imagens: O que você vê?

        

labirintos intermináveis? inversões de sentido?

                      

Reflexos nos espelhos, prismas, novas direções

 

  Surreal, onírico?

 

 

 

Vitrine

 

  

...e por que não? loucura? 

Você compreende o que tem em comum nestas imagens?

 

Sim, existe o labirinto do fauno
Escrito assim, com letra minúscula
A toca do coelho
O fundo do oceano.

Entrar não é o problema
Você conhece muitas coisas
Poderá dizer bravamente aos seus amigos que conheceu o caminho vasto
A larga entrada.

O problema é se descuidar
E muito se demorar
E, confuso, não encontrar mais o caminho de casa
E se ver perdido no labirinto.

Vergonha. Shame.

Uns que se perderam aceitaram suas vergonhas
E passaram até a gostar
Outros, desesperados, choraram e suplicaram
Arrependidos, clamavam para que seu pai viesse lhes buscar
Pois estavam perdidos.

E o céu, como que se abrindo, mostrou uma luz
Pois assim sempre faz
Se solicitado for.

E saiu o pequeno garoto
E se viu livre do labirinto
Pois de pouca idade era ainda, a criança.

 

Pense; uma criança brinca, e por que não brincar com as estruturas? Voltar a ser criança, nem tanto, mas que tal saber desconstruir, recosturar conceitos, percepções de mundo? Sabe aquele insight? Quando você vê, pensa puxa como que não vi isso antes?

 

REFERÊNCIAS

 

www.paradaparasepensar.blogspot.com

Leituras "doidas" em Deleuze, Derrida, Didi-Huberman, Baudrillard.

Imagens: net

 

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Escrito por erikaylee às 11h10
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Da Pós-modernidade à hipermodernidade: do gozo à angústia

Que nome dar aos dias de hoje? Lipovetsky (o filósofo da moda) chama de “Hipermoderno”. A modernidade tinha 2 valores essenciais: liberdade e igualdade com o indivíduo autônomo rompendo com o mundo tradicional. A pós-modernidade representa o momento histórico em que todos os freios institucionais que se opõem à emancipação individual desaparecendo e dando lugar aos desejos subjetivos, realização individual e amor-próprio. Estruturas socializantes perdem autoridade, ideologias já não mais se expandem, projetos históricos também não mobilizam mais. Instala-se uma era do vazio sem tragédias e sem apocalipse.

 

 

O consumo de massa e os valores hedonistas são atropelados por todo progresso dos transportes e da comunicação. A lógica do modismo inicia a flutuar de maneira intima e permanente pelo mundo da produção e do consumo.

A segunda fase do consumo (dec 50) Vem pela lógica da sedução, forma da hedonização da vida que suspendem a todas camadas sociais. Gosto pelas novidades, da promoção do fútil e do frívolo, do culto ao desenvolvimento pessoal e claro ao bem estar. Condutas escolhidas pelos indivíduos que assumem o domínio público.

 

  

 

 

Narciso ressurge como flexível, hedonista e livre. Uma desafeição pela política, definhamento das formas tradicionais, valorização do presente.

 

Um hiperconsumo que absorve e integra proporções cada vez maiores na vida social. Um consumo que segue a lógica emotiva tudo para sentir prazer ultrapassando a rivalidade com o outro. O luxo entra na esfera do hiperconsumo porque realiza, satisfaz o sentimento de eternidade num mundo entregue à fugacidade das coisas, e já não mais pela distinção social.

 

 

 

Ah, hipermodernidade, sociedade livre, no qual se movimenta, é fluida, flexível, indiferente a qualquer estrutura da modernidade que foi adapatada à hipermodernidade para não sumir.

 

O hipernarcisismo toma figura de maduro, organizado, eficiente, flexível, responsável diferindo do Narciso pós-moderno que era hedonista e libertário. A responsabilidade substituiu a utopia festiva, a gestão e a contestação.  Nos reconhecemos na ética e na competitividade, nas regras sensatas e no sucesso profissional.

 

Narciso invade os domínios da infância e da adolescência, paradoxos hipermodernos estão aí: Empresas que defendem os códigos deontológicos e mandam embora massivamente para maquiar os livros contábeis; armadores que evocam a importância de respeitar o meio ambiente enquanto seus próprios navios descarregam poluentes. Motoristas que dizem respeitar o código de transito e falam ao celular...Narciso eficiente ao preço de distúrbios psicossomáticos cada vez mais freqüentes, depressões, pânicos e estresse. Eis aí poucos exemplos dos paradoxos presentes na atualidade, quanto mais avançam as condutas responsáveis, mais cresce a irresponsabilidade. O cidadão está cada vez mais informado e mais desestruturado, mais adultos, mais instáveis, menos ideológicos e mais tributários das modas, mais abertos e mais influenciáveis, mais reclamões e mais superficiais.

 

 

 

A angústia e o medo impera sobre o hedonismo

 

É o medo que beira o hipermoderno, o que domina num futuro incerto, seguindo essa lógica de globalização que exerce sem o individuo, uma competição livre e exacerbada; um desenvolvimento desenfreado das tecnologias da informação; emprego precário; estagnação inquietante do desemprego. Narcisinho é corroído pela ansiedade; o medo, a insegurança se impõe sobre o prazer e a senhora angústia se impõe à libertação.

 

Exemplos? Terrorismo internacional; lógica neoliberal e seus efeitos no desemprego; poluição urbana, a violência vindo das periferias para os espaços dos ricos (condomínios de luxo, shoppings, supermercados). Hoje o slogan é “Fique com medo em qualquer idade”, eis aí o declínio do império americano...

     

REFERÊNCIAS

 

BAUMAN, Zygmund. O mal-estar da Pós-modernidade. Zahar: Rio de Janeiro, 1998.

BIRMAN, Joel. Mal-estar na atualidade. 4ª edição. Ed. Civilização Brasileira: Rio de Janeiro, 2003. 

LIPOVETSKY, Gilles. Os tempos Hiperomodernos. Barcarolla. São Paulo, 2007.

 

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Escrito por erikaylee às 11h09
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desejo perdidamente

  Monsier Deleuze

 

Existem vários pontos de vista teóricos sobre o desejo, Freud anotou em "Além do princípio de prazer", Os desejos contruídos por Lipovetsky em "O luxo eterno"; Kant... e assim vai...

                                                   

Hoje trato da máquina desejante de Gilles Deleuze, que foi o filósofo que desenvolveu sobre o conceito do rizoma, do corpo-sem-órgãos, da máquina-desejante, do acontecimento na arte e filosofia. Deleuze e o psiquiatra Félix Guattari desenvolveram os textos: “o que é a filosofia”, “o corpo-sem-órgãos” e a “máquina-desejante”. Na introdução do texto “O que é a Filosofia” Deleuze e Guattari discutem a formação de novos conceitos que são constituídos por um cenário, personagens, um momento, envolvendo questões para formulá-las entre “amigos” como confidentes. A filosofia não é objeto de reflexão ou contemplação, é uma construção de pensamento contendo um campo, ou um plano, inconfundíveis que cultivam seus germes e personagens, é a arte de fabricar conceitos. Critica a desconfortável apropriação do marketing e do design sobre os termos “Conceito” e “Acontecimento” como meros nomes de serviços. Conferindo o trecho a seguir:


Vemos ao menos o que a filosofia não é: ela não é contemplação, nem reflexão, nem comunicação, mesmo se ela pôde acreditar ser ora uma, ora outra coisa, em razão da capacidade que toda disciplina tem de engendrar suas próprias ilusões, e de se esconder atrás de uma névoa que ela emite especialmente. [...] a filosofia não encontra nenhum refúgio último na comunicação, que não trabalha em potência a não ser de opiniões, para criar o “consenso” e não o conceito. [DELEUZE GUATTARI, 1925]

 

O Conceito na filosofia direciona para além das ciências e das artes, ela ecoa numa direção e dimensão indeterminada. O conceito é criado por e na consciência, ela subsiste no movimento independente das ciências e das artes, pois a filosofia reconstitui universais com seus próprios momentos.

Seguindo o raciocínio sobre conceito, passa-se para o texto sobre o homem como máquina, no qual Deleuze segue dimensionando sobre as pulsões como máquinas desejantes. A máquina se define como o sistema de cortes. Os cortes operam em dimensões variáveis segundo a característica considerada. Toda máquina está ligada à outra máquina de corte; máquina- ânus, a máquina-intestino, a máquina–estômago, a máquina-boca. A máquina como corte de fluxo em relação àquela com que estáconectada, mas ela pode resultar num curto-circuito por todas as conexões. Assim, ele classifica o corte em três modalidades: o corte pelo fluxo e extração; o corte pela cadeia e desligamento e o corte pelo sujeito e residual.

 

 

 

 

 

O corte pelo fluxo e extração destaca mais pela ausência e a destruição do desejo do que o próprio desejo supõe até uma negação extrema, fazendo a criança tornar máquina, reagir como máquina.  É somente com o corpo sem órgãos (o corpo que perde seus órgãos, esquizo, drogado, masoquista) é que se produz, se contra produz, desviando ou exasperando toda a produção no qual ele faz parte. A máquina continua sendo desejo, posição de desejo que prossegue a sua história através do recalcamento originário e do retorno do recalcado. Em toda sucessão de máquinas paranóicas, miraculantes e celibatárias. A síntese corretiva mobiliza a libido como energia de extração.

O corte pela cadeia e o desligamento trata de cada máquina que se comporta de acordo com o que está estocado. Um código referente a cada parte do corpo e em relação com os outros órgãos. Todo registro de transmissões, informações formam todo um quadriculado de disjunções das conexões precedentes. Lacan descobriu uma cadeia de significantes no domínio do inconsciente, transformando numa análise. Mas isso é estranho devido a sua multiplicidade. Assim tanto a cadeia como código é limitada na linguagem indiferente ao corpo sem órgãos. Tal cadeia não é linear nem homogênea, ela desfila como alfabetos, que de repente surgem ideogramas, um beijo da mãe na infância, um beijo do ser amado, e que se misturam a fonemas e morfemas, ou seja, cadeia de afetos. Cada cadeia captura fragmentos de outras cadeias onde se tira a mais-valia. É todo um sistema de desvios e sorteios, que formam fenômenos aleatórios parcialmente dependentes, como uma cadeia do momento presente. Os registros e transmissões vindos de outros códigos internos, de uma região para a outra, se cruzam segundo vias perpetuamente ramificadas da síntese disjuntiva. É como uma escrita plurívoca, transcursiva; uma cadeia incessante que não pára de compor e decompor as cadeias em signos, em todos os sentidos que isso se maquina. Estes cortes-desligamentos procedem por segmentos destacáveis, tijolos voadores, uma extração de fluxos que implicam o desligamento da cadeia. Os códigos sociais, por exemplo, destroem todas as cadeias, as lineariza.  O esquizo desliga a cadeia de novo para reencontrar uma nova plurivocidade, um novo código do desejo. Uma perturbação da vida humoral que implica um desvio da energia nervosa e a instauração de direções quebradas, fragmentadas na esfera do instinto. Estes tijolos (que se localizam por vezes espacialmente) que coincidem emcertos momentos com a grande máquina cronógena do sistema nervoso (o desejo na neurologia).

 

 

Já o corte pelo sujeito e pelo resíduo implica no corte-resto, que produz um sujeito ao lado da máquina. Este sujeito não tem identidade específica, percorre num corpo sem órgãos de maneira partilhada às partes correspondentes aos desligamentos da cadeia e às extrações de fluxos gerenciados pela máquina. A parte independe do todo desempenha seu papel, como os outros cortes, o corte subjetivo não chama pela falta e sim o contrário, cabe ao sujeito enquanto parte como resto. São cortes-sínteses, sínteses que produzem as divisões, ele funciona ao mesmo tempo, na restituição da extração no fluxo associativo. A máquina desejante corta e é cortada; no primeiro modo mobiliza a libido como energia de extração, no segundo sintetiza disjuntivamente e o terceiro, à síntese conjuntiva. Sob estes três aspectos que o processo de produção desejante é simultaneamente produção de produção, registro e consumo.  

 

REFERÊNCIAS

 

DELEUZE, Gilles. A dobra :   Leibniz e o barroco; tradução Luiz B. L. Orlandi. 5º Ed. Campinas-SP: Papirus, 2009. (Pgs. 9-21 e Pgs. 213-255)

            DELEUZE, Gilles e Guattari Félix. O Anti-Édipo; tradução de Luiz B.L. Orlandi. 1º Ed. Rio de Janeiro: Editora 34, 2010. (Pgs. 11-61)    

 

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Escrito por erikaylee às 10h50
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Estruturalismo/Pós-estruturalismo

Já ouviu falar de Estruturalismo e Pós-estruturalismo? Estrutura é tudo que aprendemos na escola desde pequenos, uma sequência, um início, meio e fim. Linhas, linguagens, historicidades. A pós-estrutura é um desdobramento das estruturas; possibilita “a coisa” acontecer simultaneamente, ou inversamente, embaralha possibilidades. A crítica de arte contemporânea Rosalind Krauss questiona a base que os críticos sustentam suas afirmações sobre estes choques de linhas de pensamento. O método, ou a forma como julgam, colocando em dúvida juízos de valores entre o “bem” e o “mal”, sendo estas críticas como formatos, métodos, processos de constituir o objeto da crítica. Revelando as preferências como determinantes de qualquer outro valor.

 

  " A Guitarra", Picasso.

 

 

Há mais de vinte anos, a Cultura e a Arte conheceram a obra crítica de Clement Greemberg, a autora opõe o trabalho dele porque ele generaliza os artistas e escritores da década de 60, cujo sistema era nada mais que um método de interpretar a arte moderna. Historicista, o método de Greemberg atua no campo da arte paralelamente como eterno e em um constante devir (um organismo vivo).

 

  Clement Greemberg

 

 

A pretensão das obras como “Colagem” ou “Pintura americana” era encontrar a lógica histórica de renovação, o que na obra dele insistia em que “a arte moderna não evolui a partir do passado sem rupturas nem brechas, e cada vez que levam a uma conclusão, esta nunca deixa de ser inteligível em termos da continuidade da arte”.  Esta declaração levou Greemberg a negar interesse da crítica baseada no método e não no conteúdo de juízos. A arte suscita o real universal que suscita o juízo, outra capacidade universal da ciência; o juízo completa a arte. E separar o juízo de seu conteúdo evolutivo, Greemberg diria que tem que ter relação com a valorização do todo e quase nada com o método, defende a autora.

Argumentos na originalidade da Vanguarda e outros mitos modernos contradizem esta posição. Ensaios escritos em dez anos entre 1973 e 1983, por uma geração de críticos americanos (não interessados em artes visuais) revela a autora sua própria evolução crítica e intelectual, neste panorama artístico de Nova York (base) outros setores além da arte e cultura estavam sendo influenciados por outro discurso estrangeiro que põe as premissas historicistas fundamentando a maioria do pensamento no país. O Estruturalismo cujo método analítico produziu uma idéia radical das explicações sofridas na Arte e na Cultura. Um lado, os Estruturalistas que recusavam o modelo historicista como meio de compreensão do significado (ruptura, deseja compreender a função do mito, encontra contradições), e o outro os Pós-estruturalistas que abrem passo à análise e contextualização histórica das próprias formas transitórias e eternas que foram contempladas como as categorias indestrutíveis ao desenvolvimento estético.

 

  

 "Pretty Woman", filme: início, meio, fim.

 

 Negar o modelo historicista da maneira que a obra de arte cobra sentido, em primeiro lugar é substituir a idéia da obra como organismo por sua imagem como estrutura.  Um exemplo dado pela autora; Roland Barthes (semiólogo) citou sobre a história dos argonautas, quem os deuses haviam ordenado completar a viagem sem trocar de barco. Os argonautas por estarem conscientes da deterioração do barco, viajaram substituindo aos poucos as peças de todo barco. Com duas simples ações de substituição e nominação, resultou em um barco novo que foi substituído interiormente e que manteve seu nome.

 

 

 "Nave Argo"

 

Para Barthes esta é a imagem da estrutura, uma narrativa, e a substituição era a diferença. Para Ferdinand Saussure (Lingüística) esta linguagem é pura diferença. Início do Estruturalismo. Após observar que a diferença é comparada pelos termos positivos, Saussure insistia o contrário, no caso da linguagem “só existem diferenças sem os termos positivos”. Desta definição negativa aos “termos positivos” Saussure declarou que a interpretação do significado era resultado de correlação entre som e o objeto, sendo o som ou a palavra, seu rótulo.

A escolha de um termo segue um sistema de substituições que revela toda uma série de associações que remetem a vocabulários diferentes: escala, domínio técnico (geológico), emoção pitoresca, generalidade e precisão verbal. O significado, para o estruturalista, é o resultado de sistema de substituições. Uma manifestação sincrônica do sistema. Negando os estudos diacrônicos ou históricos das linguagens como forma de alcançar a uma teoria da significação, a obra de Saussure atacou o modelo temporal que as teorias estruturalistas e pós-estruturalistas desencadeiam em várias frentes. Para Barthes, o modelo Argo, nega a posição de um conceito como “origem”, “pensamento histórico”, “gênio”, “inspiração”, “determinação” e “evolução”, pelos quais são condições da criação de obra de arte. A superfície da obra medita relacionando com sua profundidade. Já o modelo estruturalista de substituições e nominação não remete a imagem de profundidade, a apreciação de Barthes pelo modelo Argo, é precisamente pela superficialidade.

Existe enorme resistência entre os críticos historicistas da idéia de obra de arte como “profundo”. Esta atitude anti-estruturalista, exemplifica um estudioso da estética chamado Stanley Cavell que insiste na analogia humanista, há contemplação, emoção, envolvimento com a obra de arte. A obra pode arraigar matriz biográfica de seu autor, fixar suas intenções e compreender a integração formal da obra. Considerando a vida do organismo (obra), unidade, coerência, complexidade da identidade, sendo a unidade uma demanda possível de limitar o organismo estético. Manifestação de suas condições que o unificam e o distingue ao mesmo tempo por outros meios. Sendo categorias de discurso como; obra de arte, meio, autor.

 

 

 

O exemplo dado pela autora o ensaio “Em nome de Picasso”, é uma retrospectiva do pintor. Respondendo duas questões, a primeira é a relação com o modelo de significação entre os autores e seus textos, conteúdo que mostrava a ignorância dos escritores pela ausência da tese sobre significação baseada no estruturalismo. A segunda relaciona efeitos de fenômeno recente: absorção da crítica de arte pela história da arte, história que foi ficando cada vez mais historicista nas últimas décadas, e que tem centrado em direcionar respostas de valor metodológico sem questionar o valor destes conceitos. Afirmações que parecem juízos de valor, mas no ensaio, o que interessa é como se opera o pastiche, técnica principal da colagem de Picasso é a representação da ausência. Um produto que sugere maior reflexão.

 

 "Demoiselles", Picasso.

 

 

O estruturalismo nos permite libertar de noções de coerência estilística, ou lógica formal. Em que na opinião da autora (Krauss), os historiadores da arte moderna estabelecem conexões com fenômenos precedentes.

O pós-estruturalismo problematiza todas as categorias transitórias (problemas de autoria, operações sobre os processos de significação, etc) partindo da maioria da produção moderna, interrogações acerca da origem, originalidade, dando subjetividade.

 

  

"Alice no País das Maravilhas"                                                                          "A Origem", sonho, você só descobre que o é, quando acorda.

 

 

A perspectiva da produção pós-moderna parece ter chegado a uma conclusão, a função que a arte moderna desempenha nos fenômenos como cópia e repetição, a reprodução do signo (fotografia) ou produção textual do tema, pede um novo sentido, apresentam ao mesmo tempo assinalar e reprimir. A arte pós-moderna entra na discussão do domínio teórico entre as análises estruturalistas e pós-estruturalistas abertamente, um fenômeno ocorrido nas últimas décadas, que critica publicamente o método.

 

REFERÊNCIAS

 

GARDNER, James. Cultura ou Lixo? Uma visão provocativa da Arte Contemporânea. Tradução de Fausto Wolf, São Paulo: ABDR (Associação Brasileira de Direitos Reprográficos), 1996.

 

KRAUSS, Rosalind. E. La originalidad de La Vanguardia y otros mitos modernos. Madrid: Alianza Editorial, 1996.

 

 

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Escrito por erikaylee às 10h48
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Primavera Verão 2012 LAFORT

Os ares primaveris do calor e o perfume das flores desabrocham na coleção Primavera/Verão 2012 da Lafort (A forte em francês), trazendo a feminilidade, delicadeza e a leveza inspiradas nos Jardins impressionistas de Monet, em Giverny, na França.  A Lafort mergulha não apenas nas estampas florais, mas redesenha em gestos delicados e firmes sem perder sua essência. Desfila com elegância pelos anos 70 em versão mais elaborada do hippie chic sem perder o despojamento e o romantismo. Entre shapes como as pantalonas, calças de boca larga (flares), batas, vestidos longos, rendas mais pesadas como o guipuir, babados, leve brilho, camisas inteligentes e criativas usadas com os acessórios certos celebram o verão 2012.

 

 

 

A antenada grife de luxo paranaense traz o color blocking (cores blocadas) mix entre as cartelas de cores vibrantes e frias compõem um look de efeito contrastante e vibrante. O clássico estilo navy, lançado por Jean Paul Gaultier e Chanel, mistura listras entre o azul marinho, branco e vermelho. O couro ecológico potencializa as misturas entre texturas. O lurex está presente nas blusas e saias longas garantindo o sutil andar repleto de sensualidade e elegância. O frescor do branco total (off-white), hit da estação, está presente em inúmeras peças: calças, blazer, vestidos, shorts e bermudas.

 

A paleta de cores é eclética e democrática: branco, turquesa, marinho, royal, vermelho, cereja, ombre, nude, florais e estampas multicoloridas. O look monocromático é válido para o branco total que rejuvenesce, purifica os ares e o elegante, misterioso tom preto que não sai do guarda roupa.

                                                         

Fonte: Marcia Toccafondo.

Divulgação.

 

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Escrito por erikaylee às 15h32
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Performance e teatralidade

Este texto é parte de um dos meus textos publicados em anais do Fórum da EMBAP 2011.

  

A arte mudou de endereço após a Segunda Grande Guerra Mundial. O centro passou da velha Europa para a nova América e a visão política que tendia ao socialista mudou para um mundo capitalista. Em terras devastadas e anestesiadas pelas perdas, a arte Moderna transgrediu pelos movimentos surrealistas e dadaístas, surgindo um pensamento sem ordem ou lógica. Esvaíram-se as certezas das artes plásticas e os ready-made duchampianos romperam com a tradição, questionando a durabilidade, o espaço e a subjetividade da obra de arte. Tal herança moderna é marcada pela morte da fé e a paixão pelo fetiche, pela tecnologia, pela estética fácil, pela produção em massa e pelo kitsch. Nos anos 1960, a arte incorpora a divulgação como construtora dos espaços urbanos. Segundo a pesquisadora Maria Isabel Villac (2006, p. 3):

Se a arte Pop incorpora a perda da aura da obra de arte e generaliza o mundo do consumo como a realidade artística da era da reprodutibilidade técnica já descrita por Walter Benjamin em 1936, a paisagem urbana se constrói, também, através da propaganda, dos outdoors.

O posicionamento frente à obra já não procede neste período como mera contemplação, mas por ela “estar no mundo”. A antiarte do movimento neoconcreto de Hélio Oiticica e Lygia Clark solicitavam a participação ativa do espectador, questionando o excesso do racionalismo da arte construtiva das vanguardas e incorporando a emoção e as sensações do receptor. Ocorre então a contestação do estatuto da obra na arte duchampiana, seu status, que leva a questionar o seu sentido como arte, pois nela não constam nem emoção, nem vestígios ou gestos.

 Parangolés, Helio Oiticica.

Diante deste contexto histórico da expansão da arte, críticos desenvolvem um campo de reflexão que salta além das fronteiras de campos como o teatro e as artes plásticas (performances), incluindo o pensamento entre a temporalidade de um acontecimento e a memória que registra, possibilitando novas e infinitas combinações afetivas.

Na performance existe uma condensação de recortes do teatro, da dança, de filmes, de vídeos e das artes visuais. Ervin Goffman define performance como atividade executada por um participante, que possui a intenção de influenciar os demais. Ela pode ser interpretada de acordo com a cultura, os princípios morais, o seu campo político, tradições e costumes pré-estabelecidos, de acordo com o país em que ocorre. Numa dramatização, por exemplo, segundo Goffman (1995, p. 37):

 

em presença de outros, o indivíduo geralmente inclui em sua atividade sinais que acentuam e configuram de modo impressionante fatos confirmatórios que, sem isso, poderiam permanecer despercebidos ou obscuros. Pois se a atividade do indivíduo tem de tornar-se significativa para os outros, ele precisa mobilizá-lo de modo tal que expresse, durante a interação, o que ele precisa transmitir.

 

O ator do teatro, da novela, dos esportes, de rituais religiosos, entre outros, expressa suas qualidades de interação durante uma fração de tempo. Elementos performáticos permeiam o ambiente social e os artistas que desenvolvem o ready-made performático (RPM) destacam tal fato trazendo a consciência do espectador e criando tensão ao estabelecer relação com o conhecimento assimilado e acomodado cognitivamente.

 Cenas de novela "Insensato Coração"

De acordo com Richard Schechner[1], toda atuação treinada e ensaiada é uma performance. Porém, desde nossa infância, recebemos treino e educação para agir conforme inúmeras regras. Alguns estão em constante luta entre a aceitação e a rebelião e em proporções individuais ou sociais, como nas lutas, guerras e atos políticos.



[1] Richard Schechner (1934) é professor da Universidade de Nova York, diretor de teatro e fundador e editor da revista The Drama Review, publicada pela NYU. Entre suas obras de destaque: Enviroment Theater, Hawthorn Books, 1973; Performance Theory, Rotledge, 1977; The Future of the ritual, Rotledge, 1993; Between Theater and Antropology, Ingressou na Universidade da Pensilvânia em 1985. Performance Studies, na Introducion, Routledge, 2002.

REFERÊNCIAS

 

COSTA, Cacilda Teixeira. Roupa de artista – o vestuário na obra de arte. São Paulo: EDUSP, 2009.

DELEUZE, Gilles. Lógica do sentido. 4. ed. São Paulo: Perspectiva, 1998.

DIDI-HUBERMAN, Georges. O que vemos, o que nos olha. Trad.: Paulo Neves. 2. ed. São Paulo: Ed. 34, 2010.

FREUD, Sigmund. Além do princípio do prazer. Lisboa: Relógio d’Água, 2009.

GOFFMAN, Erwin. A Representação do Eu na vida cotidiana. Rio de Janeiro: Vozes, 1995. 

KRAUSS, Rosalind E. Caminhos da Escultura Moderna. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

LACAN, Jacques. O seminário. Livro 1. Rio de Janeiro: Zahar, 2009.

RUSH, Michael. Novas Mídias na Arte Contemporânea. São Paulo: Martins Fontes, 2006.

SCHECHNER, Richard. Estudos da Performance. Florianópolis: UDESC – CEART – PPGAV. Texto orientado e traduzido por Yiftah Peled. 2009, p. 110-118.

TASSINARI, Alberto. O espaço moderno. São Paulo: Cosac & Naify, 2001.

TUCKER, William. A linguagem da escultura. 2. ed. São Paulo: Cosac & Naify, 1999.

VILLAC, Maria Isabel. Obras e discursos da cidade e o imaginário da cidade: arte, o construtor, o poeta, o filósofo e o arquiteto. I Seminário Arte e Cidade. PPG-AU – Faculdade de Arquitetura/ PPG-AV – Escola de Belas Artes/ PPG – LL – Instituto de Letras. Salvador, maio 2006.

 

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Escrito por erikaylee às 10h46
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memento mori ou vanitas?

                            

                         Caveira encrustada de diamantes de Damien Hirst

 

A moda gera novidades cada vez mais efêmeras. Questionando a validade do novo e a eterna repetição, vale falar um pouco do que é o memento mori e a vanitas. Na arte estes efeitos são termos muito antigos, o gênero vanitas vem desde o século XVI pela Europa, o acúmulo de riquezas na Holanda ao final de 1650-1660 era criticado pela igreja difundindo a riqueza como mera vaidade. Vanitas vanitatum et Omnia Vanitas em latim que significa vaidade das vaidades tudo é vaidade, neles representaram todo bem de luxo, conforme os bens de consumo do período.

Para esmorecer o desejo por estes objetos, o crânio era acrescido nas imagens como na obra de Peter Claenz (1630), advertendo a brevidade da vida sobre a leviandade da vaidade.

Toda vanitas é um memento mori (viva bem sua vida pois irás morrer, em latim), mas nem toda vanitas é um memento mori. A vanitas limita na insignificância dos bens e prazeres mundanos.

 

Vanitas, Pieter Claenz, 1630.

O memento mori foi muito difundido na passagem da Idade Média para o Renascimento, marcada pelos quatro cavalheiros do Apocalipse: a Guerra, a Fome, a Peste e a Morte.

 

A arte contemporânea retrata o memento mori e a vanitas tanto em forma como seu conceito.

 

 

 

   Perfect Lovers, Feliz Gonzalez Torres, 1991.

 

 

A obra sem título de Nickolas Rubinstein, remete o Mickey Mouse, um crânio humano com orelhas e nariz de aço, segundo Daidé: “O homem mortal em decorrência de seus ossos sobre a dura carapaça em aço do rato imortal afirma toda a extensão de sua impotência”.

 

 

sem título, Nicolas Rubinstein, 2006.

 

Relógios, frutas, o próprio corpo humano são símbolos de memento mori.  

 

 E claro consequentemente a moda não poderia estar de fora...

 

    

 

                                                 

 

REFERÊNCIAS

WITECK, ANA PAULA GOMES.EXPOSIÇÕES DE ARTE DEDICADAS AS VANITAS: UMRETORNO DO GENÊRO?http://www.artemidia.org/6ciclo/artigo02.pdf

IMAGENS: NET

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Escrito por erikaylee às 15h37
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pouco de semiótica

 Entendendo como funciona um processo de comunicação, falaremos um pouco sobre as funções da Linguagem.

 Sendo que a mensagem é o código organizado através de processos seletivos e combinatórios que tem o objetivo de informar.

 São basicamente 5 funções:

 

Emotiva

Apelativa

Fática

Referencial

Metalinguagem

 

A Função Emotiva está direcionada ao emissor, onde há organização dos códigos para focar a si mesmo. O “eu”, “nós” coletivo, ou universal. Preocupa-se em mostrar as intenções, vontades, interesses e desinteresses do emissor.

 

 

A função Apelativa já é centrada no receptor. Envolver o receptor. Um discurso persuasivo, linguagem comum na Publicidade.

 Uma linguagem que influencia sem o receptor perceber que acaba sendo comandado.

 

 

 

 

 

 

A função Fática estabelece apenas um contato entre o receptor e emissor. Um chamado, por exemplo: “Oi, tudo bem?”, “Bom Dia”, “Será que vai chover?”...

 

 

A função Referencial apresenta o contexto, explica o significado das mensagens. São todos os livros didáticos, textos jornalísticos, programas de noticiário, enfim todo o tempo que perdemos explicando ou esclarecendo alguma coisa.

Esta função quando bem aplicada ela torna rica e excelente, quando mal utilizada ela se torna de fácil compreensão, um senso comum.

 

 

A função Metalinguagem é o reflexo do próprio código. Ela se vira e mostra invertida para si. Desvendar o processo de mensagens, como se fosse desmontar um vestido e costurá-lo novamente. Uma linguagem-objeto. Cor se desnudando para dizer cor (H. Matisse), cinema se desnudando para dizer cinema (filme Rosa Púrpura do Cairo), moda sendo destruída para dizer moda  (coleção de papel de Jum Nakao em 2004).

 

  

 

Tendo domínio desta função, a compreensão das organizações dos códigos, a metalinguagem introduz algumas regras de exceção como elementos transformadores criativos. No código verbal, você pode aproveitar sua visualização e a sonorização. As palavras tornam-se desenhos...

 

Nesta função você pode criar interdisciplinaridade, ou seja busca diálogos entre gestos, cantos, os movimentos corporais...

O signo icônico multiplica, pois ela tende a ser o Objeto, mas não consegue. Assim a mensagem se reorganiza até aproximar do seu objeto pela sugestão metalingüística, seja pela palavra escrita, falada, pela música, pintura, ou pela mímica (gestual).

 

São procedimentos que estimulam o aprendizado, gera lógica de construção do pensamento.

 

Vivemos num mundo convencional, porém dentro desta arbitrariedade podemos trazer muitos aspectos das qualidades sígnicas e gerar criatividade.

 

   

REFERÊNCIAS

 

CASTILHO, K. MARTINS, M. Discursos da Moda. Ed. Anhembi Morumbi. São Paulo. 2005.

 

TURIN, R.N. Aulas, Introdução ao Estudo das Linguagens. Ed. Anna Lube. São Paulo. 2007.

 

 

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Escrito por erikaylee às 13h47
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Desfile, desfile já cansou?

 “A moda coloca a aparência comum em estado de teatralidade, sedução e espetáculo encantado” Lipovetsky

 

 Os desfiles de moda desempenharam importante papel para a indústria de moda, desde 1900, iniciaram-se lançamentos de coleções em ateliês e nas lojas de departamentos na Grã-Bretanha, França e Estados Unidos. O desfile de moda teve ligações com a arte, teatro e cinema, junto com o consumismo, destacaram a sedução da figura feminina.

  Desfile Dior dec 50.

A ascensão das manequins, modelos e desfiles de moda estão ligadas ao aumento da produção em massa da industrialização, manequins vivas foram usadas pela primeira vez no século XIX, sendo usadas frequentemente no século XX. Assim, de manequins vivas foram copiadas nas manequins das lojas de departamentos (de cera).

 

                                      

                                       Vitrine, cinema, show, espetáculo, espaço de sonhos...

 

 

 Estas roupas atraentes eram consumidas pelas mulheres de classe média alta. Compradoras de artigos de luxo, vítimas da sociedade do espetáculo. Transformando sua própria imagem em objeto de status. Em Paris daquela época garçonetes, costureiras, modistas, cabeleireiras e lavadeiras também desejavam ter este visual...mas o salário da classe proletária era miserável, a prostituição foi uma das soluções para estarem na “moda”.

 

                                             

 

 A imagem da mulher deslumbrante tem relação entre o fetichismo do produto e o objeto sexual em forma da visibilidade crescente da “mulher- espetáculo”. Em Paris de 1860, substituiu o nu artístico pelo modelo vestido na última moda. O consumismo fervente não existia distinção do corpo com a roupa.

 

                                                              

 

“revelava-se ao mundo moderno não como atributo de deusas clássicas nem como refúgio respeitável do ideal na arte, mas como mercadoria a ser comprada...outros objetos mais novos estavam à venda, tanto de costureiros como Worth quanto de lojas de departamentos como a Bom Marché  Lilley

 

A estilista “Lucile”(Lady Duff Gordon) que originou o nome “desfiles de manequins”

 Em 1847, Charles Frederick Worth enaltecia suas clientes (duquesas e condessas) junto de sua esposa e manequin Marie Vernet. Em 1858, o casal desfilava suas peças nas lojas e nos ateliês.

 Partindo desta inovação, o espetáculo cresceu, aprimorou por todas maisons européias.

Paul Poiret em 1908, 1911, Coco Chanel desfila suas pantalonas e Schiaparelli na década de 30.

 

   

      

 

 Chanel, Schiapareli e Poiret

 

REFERÊNCIAS

 

 DELEUZE, Gilles. Lógica do Sentido. São Paulo. Editora Perspectiva.1974.

 

LIPOVETSKY, Gilles. O império do efêmero.São Paulo. Companhia das Letras. 1989.

 

Periódicos

 

 Revista Marie Claire, n 102, setembro, 1999. São Paulo. Editora Globo, 1999.

 

Imagens: net

 

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Escrito por erikaylee às 17h10
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Cultura do Narcisismo

 

       A importância da psicanálise no mundo atual que está mergulhada num mal-estar insuportável e delineia certa expectativa em sua fundamentação numa alternativa em encaminhar os destinos dos desejos. Subjetividade: Narcisismo de Freud: 'a sua majestade o bebê'.Melancolia/ Depressão: Sintoma de uma Sociedade consumista. Patologia característica da sociedade contemporânea tomando como referência a compreensão desse fenômeno na perspectiva psicanalítica.Partindo do pressuposto de que a configuração da subjetividade e da patologia de uma época está articulada intrinsecamente pelos modos de relação historicamente determinados, toma-se a melancolia e depressão como sintoma de uma contemporaneidade marcada pelos ideais marcísicos, tais como Freud descreveu e interpretou em luto e melancoliae em Introdução ao narcisismo. Às interpretações freudianas acrescentamos as análises da sociedade contemporânea feitas por Christopher Lasch em A cultura do narcisismo e por David Harvey em "A condição pós-moderna. Oferecer um suposto gozo imediato e com isso bloquear os processos psíquicos e sociais de simbolização sem os quais o desejo não pode ser transfigurado e realizado.

Os amantes. 1928. Amor líquido?

 

 O filho do homem. 1964. Qual a sua identidade? Qual é a subjetividade?

 

  Golconda. 1953.  Uma multidão de homens, homens diferentes. Quando pensamos numa multidão, contudo, não pensamos num indivíduo; do mesmo modo estes homens estão vestidos de igual, tão simplesmente quanto possível, para sugerir uma multidão…

  Lasch (1986) descreveu como o eu se contraiu dentro de um núcleo defensivo, assediado pela adversidade, sendo exigido um eu mínimo para se manter o equilíbrio emocional. Porém, dez anos depois, o ser humano, "... o último ramo desviante da árvore da vida..." (Morin e Kern, 1995, p. 43), ganha tentáculos tecnológicos interativos. O olhar permite ver, entrar e atuar. O corpo, através do olhar, ocupa diferentes espaços em um curto tempo. Merleau-Ponty afirma que "...nosso corpo não está primeiramente no espaço: ele é no espaço." (1994, p. 205), e que "A espacialidade do corpo é o desdobramento de seu ser de corpo, a maneira pela qual ele se realiza como corpo." (1994, p. 206). O acesso ao objeto, que é obtido pelo olhar, é a possessão deste a fim de continuar a exploração do seu interior. Navegar, via informática, é ser diferente porque reafirma que ninguém está diante do próprio corpo, mas está em um corpo e, melhor ainda, é o corpo. O exemplo do cego, citado por Merleau-Ponty, demonstra que a bengala, tornando-se um instrumento familiar, começa a perceber o mundo a partir da sua extremidade e não mais a partir da epiderme. Navegar, na infovia, é fazer um caminho inverso: para o cego, o mundo recua para extremidade da bengala; para o infonauta, o mundo entra para dentro do corpo e se amplia a medida que seu olhar sai pelo passeio informático. O olhar toma posse para tornar o corpo possuído e expandido. A televisão e o vídeo, de certa forma, já introjetavam conteúdos perceptivos no corpo como se este andasse por outros lugares, porém o microcomputador permite sair da passividade da recepção e entrar na imagem, no jogo, na ação. O corpo passivo torna-se ativo e se passa a integrar a imagem. Cai a fronteira entre corpo-carne e corpo-imagem. É fundido um corpo-tecnológico. 

, não pensamos num indivíduo; do mesmo modo  

                                                                                    Amenina comendo pássaro (prazer). 1927.

  A dificuldade hoje é admirar o outro enquanto os olhos se encontram no seu próprio umbigo. O outro hoje é apenas usufruto do sujeito da cultura do espetáculo, apenas instrumento para incrementar sua auto-imagem, podendo ser “deletado” como um objeto descartável quando não mais útil.

 vamos mudar isto? será possível?

Imagens: net

 

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Escrito por erikaylee às 14h59
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Mercado do luxo

 

Informações: Dioneia Mendes
dioneia@brasilfashionnews.com.br
dioneia@brturbo.com.br
41 3329-8205 - 9975-9146
www.brasilfashionnews.com.br
www.confrariadoluxo.blogspot.com

 

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Escrito por erikaylee às 10h48
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Novo, de novo

Quem não quer andar com o último design do carro lançado, pendurar o lançamento da Cartier nas orelhas, ligar pro seu amor com o celular da hora, as roupas que estão sendo desfiladas no SPFW que está acontecendo?

 Este blog entra no ritmo do boom da economia que não é difícil de esclarecer. Sob a dinâmica do imperativo do lucro, as indústrias criam novos produtos, inovam continuamente para progredir na penetração de mercado, para ganhar novos consumidores. A moda consumada é filha do capitalismo.

 A concorrência das classes e as estratégias da distinção social que sustentam e acompanham a dinâmica da oferta.

 

                              

 

 

 “Nem condicionamento pela produção, nem submissão desta aos gostos do público, a ‘correspondência quase miraculosa’ que se estabelece entre os produtos oferecidos pelo campo da produção, e o campo do consumo é o resultado da  ‘orquestração objetiva de duas lógicas relativamente independentes’ mas funcionalmente homólogas: de um lado, a lógica da concorrência inerente ao campo da produção; de outro, a lógica das lutas simbólicas e das estratégias de distinção das classes que determinam os gostos de consumo. Tanto a oferta como a procura são estruturadas por lutas de concorrência relativamente autônomas, mas estritamente homólogas, que fazem com que os produtos encontrem em cada momento seu consumo adequado.” Pierre Boerdieu.

                       desfile Chanel 2010.

 

 

 A lógica da distinção apreende a economia moda com uma chave pesada, incapa de dar conta da escalada infinita da diversificação e da superescolha industrial. É incompreensível a instalação permanente da moda consumada em nossas sociedades sem devolver aos valores culturais o papel que lhes cabe e que tanto o marxismo e a sociologia não cansa de ocultar. Não existe economia frívola sem a ação sinérgica destas finalidades culturais que são o conforto, a qualidade estética, a escolha individual, a novidade.

 

 

 

 

As rivalidades simbólicas de classes são secundárias relacionadas ao poder destes significados imaginários infiltrados em todas as classes e que hoje têm um poder próprio.

 

 

                                 

 

 Na raiz da demanda de moda há cada vez menos o imperativo de demarcar-se socialmente e cada vez mais a sede do NOVO.

 O código do Novo nas sociedades contemporâneas é particularmente inseparável do avanço da “igualização” das condições e da reinvidicação individualista. Quanto mais as pessoas se mantêm à parte e são absorvidos por si próprios (estilo), mais haverá gostos e abertura às novidades.

 

 Neste quadro, a sagração do Novo e o individualismo moderno caminham de comum acordo, se a moda consumada é levada pela lógica do capitalismo, ela é igualmente por valores culturais, que estão no apogeu de estado social democrático.  

 

REFERÊNCIAS

 

BAUDRILLARD, Jean. O sistema dos objetos. Editora Perspectiva. São Paulo. 2000.

(Filosofia)

BORDIEU, Pierre. La Distinction. Editora Minuit. Paris. 1968.

 

LIPOVETSKY, Gilles. O império do efêmero. Editora Companhia das Letras. São Paulo. 2003.

 

Imagens: net.

 

 

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